A metafísica e as doenças

Sistema Digestivo

ESÔFAGO

O esôfago é um canal que se comunica diretamente com o estômago. O esôfago tem a ver com as situações que se repetem com relativa frequência ou se arrastam por um longo tempo. A aceitação de qualquer fato da vida interfere na função do esôfago. Quando se vive bem com as situações, por mais desagradáveis que possam aparentar, não há alteração em sua função metabólica. No entanto, ao menor sinal de descontrole e recusa em aceitar essas mesmas situações, essas funções são alteradas. Todas as fases conturbadas que atravessamos, têm como objetivo mostrar realidades internas que precisam ser trabalhadas.  A disfagia tem a ver com a dificuldade de engolir, envolvendo a faringe e o esôfago.

 

ESOFAGITE

É uma irritação constante com tudo ao redor. A raiva que sentimos de alguém significa que existe algo a ser destruído em nós, podendo estar relacionado tanto ao acontecimento em si quanto à expectativa que fazemos com relação às pessoas envolvidas. Muitas vezes, quando as pessoas tomam atitudes que não condizem com nossas expectativas com relação a elas, chegamos a nos sentir enraivecidos. Isso nos mostra que qualquer expectativa sobre alguém acaba certamente em decepção e sofrimento para nós mesmos. As pessoas não vão atender e não estão aqui para atender nossas expectativas. O melhor mesmo é aceitarmos viver a realidade, encarar os fatos e as pessoas como eles verdadeiramente são e não querer que sejam do jeito que gostaria que fossem.

 

HÉRNIA DE HIATO

 

Tem a ver com a culpa pela situação atual. A hérnia de hiato é o surgimento anormal de saliência no hiato esofagiano, que é a passagem entre o esôfago e o estômago, através do diafragma. Surge na pessoa que se sente sobrecarregada por alguma situação que precisa "engolir". Fica tensa e com raiva porque resiste ao processo e ao mesmo tempo se pune pelo desenrolar dos fatos que provocaram a situação que está vivenciando. Normalmente os problemas que a pessoa está atravessando na época que surge a hérnia de hiato foram desencadeados por alguma circunstância que ela não aceita. Se sente responsável e  se pune pelo que está acontecendo. A hérnia de hiato retrata um profundo desejo da pessoa em parar o processo, recusando-se a viver naquela situação inevitável que está atravessando em sua vida. A vontade de parar esse processo afeta a região do diafragma, que é considerado o músculo da vida. Para reverter esse processo, não se sinta culpado pelo desenrolar dos fatos, lembre-se de que tudo que acontece faz parte de uma trajetória de experiência individual e do grupo.

 

DIGESTÃO

 

 A digestão tem a ver com a maneira como digerimos as situações da vida. Nossa condição interna, que envolve os conceitos e valores adquiridos, é a principal condição de assimilação da vida. Esses aspectos determinam nossa disposição para aceitar as situações. Quando se vive de bem com a vida e as situações, por mais que não sejam de nosso agrado, vive-se em harmonia interna e mantemos uma boa digestão. A vida é um reflexo do que criamos e não do que idealizamos para nós. Quando temos uma situação que nos causa um grande desconforto, é importante observar nosso estado interior, pois com certeza existirá alguma relação com aquilo que tanto nos aborrece. A transformação se dá graças aos aspectos interiores, e não ao meio ou às pessoas. Quando você não aceita a situação em que vive, não se aceita. Quando não há aceitação de sua parte, representa não estar de bem consigo. Quem não está bem consigo não tem condições de dar novos passos na vida.  Se alguma área da vida não está boa, é preciso trabalhar em nós a autovalorização e o merecimento. A má digestão está relacionada à intolerância pelo alimento. Sua relação metafísica é com a recusa da situação que está atravessando. A não aceitação de algum processo da vida reflete na recusa do organismo pelos alimentos.

 

 

ESTÔMAGO

 

Ele processa as emoções frente os fatos. Os movimentos musculares do estômago e a ação do suco gástrico transformam os alimentos em uma massa de consistência semilíquida, passando para o duodeno. A atividade muscular prossegue até o completo esvaziamento do estômago, que leva de três a quatro horas e meia, dependendo do tipo de refeição ingerida. O estômago é uma espécie de processador de alimentos que prepara o conteúdo alimentar para os estágios seguintes da digestão. A atividade do estomago está condicionada a gerar emoções. As impressões vindas do mundo externo nos causam determinadas reações que são percebidas em forma de sensações viscerais. A região abdominal onde se localiza o estômago é considerada um dos principais centros energéticos do corpo. É onde se produzem as emoções básicas como raiva, medo, alegria, atração, aversão e outras. Quando é produzida uma emoção, sentimos no estômago. A partir da produção da energia emocional, ela é distribuída para a região do corpo correspondente e se transforma em sentimentos. Quando por qualquer motivo não exteriorizamos os sentimentos e os bloqueamos, esse comportamento gera um acúmulo energético na região do estômago, que consequentemente causa alteração no metabolismo orgânico. Uma das principais causas de problemas no estomago é a negação das emoções básicas produzidas diante dos acontecimentos. A negação dos instintos básicos provoca conflitos que bloqueiam o fluxo natural. Não podemos ter medo de mostrar aquilo que somos. Precisamos parar de criar expectativas que exijam de nós algo que não corresponde à nossa natureza íntima, sem extravasar impulsivamente as sensações precisamos aprender a lidar com elas. Quando a pessoa não se aceita, ela passa a ter vários conflitos internos que são agravados pelo desenrolar das situações à sua volta. Não se aceitar é negar as sensações e sentimentos. A negação das emoções provoca congestionamento energético que causa as complicações digestivas.

 

SUCO GÁSTRICO

 

É uma resposta mental das situações da vida. A atividade das glândulas secretoras está relacionada com a disposição da pessoa em receber as ideias e os fatos da vida. A incapacidade de assimilação, bem como o medo das situações novas, influencia na diminuição da secreção dos sucos gástricos, que são indispensáveis para o processo digestivo. A pessoa tem uma digestão lenta e problemática. Por outro lado, a negação das sensações provocadas por uma situação qualquer da vida ou sua não-expressão leva a pessoa a ficar remoendo e engolindo sua própria raiva. Esse comportamento faz com que a produção de sucos gástricos seja aumentada. Com a elevação da quantidade desse agente, sem haver alimentos para serem digeridos, eles passam a agredir a parede do estômago e pode se dizer que a pessoa está se corroendo. A persistência nesse padrão de comportamento pode provocar algum problema mais grave, tal como uma gastrite ou até mesmo úlcera.

 

GASTRITE

 

É uma inflamação do estômago. Dos problemas gástricos, a gastrite é um dos primeiros sintomas a se manifestar. Seu surgimento está associado à postura interna do indivíduo de engolir as emoções básicas e ficar imaginando e argumentando os fatos na esfera mental. A pessoa não apresenta habilidade para lidar com seus aborrecimentos de forma consciente. Ao contrário disso, adota atitudes extremistas diante de conflitos que lhe provocam raiva. A atitude mais comum frente a alguma situação é engolir seus sentimentos ou exagerar em sua agressividade. Seja qual for a maneira com que age, provoca um aumento na secreção dos sucos gástricos, que afetam as paredes do estômago. Não demonstrar a agressividade ou exagerar sua dose, além dos desarranjos estomacais, provoca profundo desconforto na pessoa. Ela opta por não ofender nem agredir os outros, entretanto falta com o respeito para consigo mesma. Sua opção é feita no sentido de respeitar os outros e se autoagredir. Elaborar de maneira consciente as emoções provocadas por algumas situações da vida evita os desarranjos estomacais.

 

 

 ÚLCERA

A úlcera é uma perfuração da mucosa do estômago causada por inflamação, desintegração ou necrose que lesa a parede do estomago. A formação de Úlceras gástricas está diretamente relacionada ao fato da pessoa se corroer por dentro. Sua tendência básica é introjetar suas emoções em vez de exteriorizar o que sente. Toda a irritação provocada pelas situações externas não expressas provoca o aumento excessivo na secreção de ácidos, que, não tendo alimento a ser digerido, agridem as paredes do estômago. É profundo o grau de irritação em que a pessoa vive. Ela se sente pressionada pela situação, não se julgando boa o bastante para se expressar livremente na vida. Tem medo de encarar de frente os fatos e se expor com naturalidade. A pessoa exige muito de si, quer ser auto-suficiente, não se permitindo errar. Sua tendência é introjetar suas emoções em vez de exteriorizar o que sente. Ela é resultado da agressividade não expressa e nasce em nós com a função de destruir os bloqueios que impedem os impulsos agressivos mantenedores da integridade. A raiva surge quando esperamos que a vida e as pessoas correspondam àquilo que idealizamos. Tem a ver com o sentimento de frustração.

 

VESÍCULA BILIAR

 

A vesícula biliar mantém armazenada a bile, que, para a metafisica tem a ver com  a expressão dos nossos conteúdos internos para resolver os problemas da vida. Nas pessoas que não liberam seus impulsos agressivos, acarretarão complicações na vesícula ou no duto que conduz a bile até o duodeno. A complicação mais comum resume-se na formação de cálculos nessa região, representando a calcificação da agressividade. Os problemas na vesícula surgem nas pessoas rígidas, intolerantes, contrárias a tudo que acontece. Têm dificuldade em digerir o novo e negam os fatos. Se sentem presas e sufocadas pelas situações que as pressionam constantemente, não conseguem se soltar, liberando sua força para resolver as complicações. A vesícula preguiçosa é muito comum em pessoas lentas nas mudanças, que demoram para se adaptar ao novo. Quando requisitadas para algo de que não gostam, costumam ficar reclamando. Elas exigem que tudo seja do seu jeito. Quando não conseguem, relutam nas situações, impedindo que as circunstâncias sigam o fluxo normal.

A ausência da vesícula no corpo provoca uma sensação de perda do referencial físico, de armazenagem metafísica da agressividade, deixando a pessoa mais propensa a se impor na situação, falando logo sobre o que pensa a respeito das coisas que acontecem à sua volta. Já não consegue mais guardar nada daquilo que antes não conseguia expor, nem medir suas palavras para falar sobre aquilo que a incomoda na situação. A maneira que encontra para isso normalmente é por meio das brincadeiras e "gozações".

Aqueles que conseguem liberar sua força agressiva, mesmo depois de perderem a vesícula, atingem um estado de saúde interior graças ao equilíbrio das ações. Mesmo percorrendo um caminho de dor e deterioração de um órgão de seu corpo, isso é imprescindível para o restabelecimento físico, psíquico e emocional.